segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Aos amantes do caos e povoadores da destruição

Jamais haveriam de desfrutar da textura hígida daqueles anjos, ávidos e sutis, contra o toque frigido de mãos mortas. Poderíamos supor razões e confronta-las com analises obscenas, se em antemão não recebêssemos o hostil som do silêncio, cujo constava de suprema força quanto a destila-los em vagos milhares de peças reclusas.

Por dentre outras pútridas ações, talvez o tempo os fizesse gostar daquela cidade. Da podridão insaciável, claramente exalada em teus poros, e do clima gélido, docemente esbofeteando-lhes a face. Era como alimenta-los de olhos sedentos, ora desfrutando pequenos prazeres, enquanto permitiam-se caminhar por entre arranha-céus, tocando as nuvens em sinfonia, ora reprimindo-lhes por passadas tão largas e suposta alegria, parecendo carimbar-lhes a face. Não havia resposta a estes devaneios, afundavam-se em pequenas lamurias, quando por fim sentiam-se deturpar.

Jamais afáveis, venturosos, apenas impenetráveis e cruéis, em busca de um perdão inexistente. Inexistiam. Era como pedi-los um adeus e encontra-los por detrás de rubras cortinas de seda, lamentando suas perdas. Havia neles uma réstia de tolice, falta de classe e visíveis falhas em planos. Tuas íris não reluziam aos casacos que vestiam-lhes no inverno, pois em teus peitos ainda reinava uma pontada, escondida, de calor. Da pose que insistiam em apontar, perdiam-se. Eram fracos. E enfraqueciam e enfraquecer-se-iam a cada instante existencial de seus corpos assolados.

Morreriam, e talvez por fim sentissem o doce toque daqueles bondosos anjos, empurrando-lhes num abismo infinito de culpas e remorsos.

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