Recostava-se contra a muralha de tijolos mal-colocados. Abordando, aturdido, resquícios do orgulho ferido que abandonavam-no aos poucos. O vento cortava o ar, repousando, ríspido e devasso, contra tua face ferida. Deleitava-se ao sentimento da dor, que ia deixando teu corpo em ofegos e murmúrios sutis, esboçando em um traço abstrato a leveza de uma alma, libertando-se vagarosamente de sua carcaça humana. Observava-o em meio a um deserto de sensações (e construções), caindo e sucumbindo as eminentes trajetórias que eram-lhe traçados de impasse. Remanesceria ali, apodrecendo sob o cair da neve, tingindo-lhe os fios de cabelo num grisalho artesanal.
Tão fácil que tornava-se tedioso.
Tão fácil que tornava-se tedioso.

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