domingo, 3 de outubro de 2010

Comedie a vieţii.

Estou presente no teu medo e nos cantos obscuros entre as paredes rígidas dos teus aposentos. Eu sou a tua infância desestruturada e o teu fim questionável. Eu te protejo do ranger do mundo e te empurro rumo ao abismo envenenado. Eu te encorajo a tomar o caminho mais confortável e te espero no fim da estrada tortuosa. Eu sou as tuas lágrimas e o sangue que vaza tuas veias. Estou presente no teu sonho doce e no teu temível pesadelo. Eu sou as mãos que matam, as ataduras que ferem e o dedo enviesado no gatilho. Eu sou a tua estória descrita em detalhes.

Sorri-me, os olhos que matam. Estou disposto a confrontá-los nos teus mais desígnios desprazeres. Encontro os teus desejos no fundo de pilhas suntuosas repletas de lixo; os teus objetivos nulos repelem toda a tua grandeza, inerte em vozes estrangeiras e vazias. Tom sobre tom. Estou presente em cada nota desferida no piano gotejado em sangue, estou presente em cada célula solitária e em cada conjunto de decepções carnais. Eu sou o ar destrutivo que enche-te os pulmões a cada respiração intricada. Eu sou o caminho que tu decides tomar.

Pois no fim, caríssimos, me é designado a irrevogável repulsa e o descrever de cada cena. Todas as vossas vidas destruídas em pedaços insignificantes e costuradas em meio a palavras maquinadas. Este é o meu cargo até o fim dos tempos. Contemplem, pois, o primeiro ato e desprendam-se dos vossos medos risíveis. Todos os finais são, em suma, bastante semelhantes.

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